Por: ROBERTO ALMEIDA - jornalista. Continuando...
Mas voltando a Neide, a mãe de Belo Jardim que cuidava do filho, ela parece que não tinha ninguém para ajudá-la naquela difícil missão. Estava dia e noite com o seu rapaz, normalmente “leve”, bem humorada e apenas uma vez a vi estressada, por conta do trabalho extenuante junto ao seu paciente. Neide tinha um corpo bonito, pernas e coxas grossas e fazia questão de realçar as formas usando umas roupas, tipo bermuda ou short, bem coladas à pele. Não tinha como não notar a presença daquela mulher se movimentando na enfermaria do hospital, sempre com blusas ou calças coloridas que davam um tom mais alegre à enfermaria que estávamos internados. Como Maria, citada num dos primeiros relatos dessa história, Neide não deixou a vaidade feminina de lado por estar num hospital e explorou – no bom sentido – o corpo bonito o quanto pôde enquanto esteve acompanhando o filho na sua saga pelo HR. Quando tive alta e saí do Restauração mãe e filho de Belo Jardim ainda estavam lá, mas também já com dia certo para poder voltar para casa. Devem estar aqui por perto, na Terra do Bitury e peço a Deus por eles, que também foram boas companhias na enfermaria 505 e Neide muitas vezes esteve ao lado de minha mulher na hora das refeições do restaurante no andar térreo. Foi a belo-jardinense, por sinal, que por conta do comportamento determinado de Terezinha, que às vezes parecia uma espécie de líder naquele ambiente, a “nomeou” como chefe do setor. Disse que as decisões por lá tinham de passar por minha mulher, que ela era o juiz (assim mesmo, no masculino) do lugar. Talvez para suportar melhor o sofrimento, a angústia, a espera, a comida ruim, a falta de liberdade e as incertezas, todos ali precisassem brincar um pouco. Não tanto os pacientes, em geral fragilizados pela doença, mas pelo menos os acompanhantes, que afinal de contas estavam inteiros e tinham desejos, ambições, planos e projetos de vida. Por aí acredito que se explica a alegria e a sensualidade, escancarada ou mal disfarçada, de pessoas como Neide e Maria. Ó Wall!!! (Continua...)

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