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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

MEMÓRIAS DA VIDA NO HOSPITAL - 16ª PARTE

Por: ROBERTO ALMEIDA - jornalista. Continuando...
Um quadro triste que também influenciou minha decisão. Durante a semana seguinte, em Garanhuns, recebi um telefonema do meu irmão mais velho, Eduardo, que é juiz do trabalho em João Pessoa. Ele disse que tinha conseguido um médico para me operar, um profissional com 12 anos de experiência em neurocirurgia, integrante da equipe de Hildo Azevedo no Hospital da Restauração. Rodrigo Andrade, este o nome do médico, que também trabalhava no Pelópidas Silveira, onde eu tinha recebido meu diagnóstico e quiseram me operar. Eduardo tinha como colega no Tribunal do Trabalho o pai de Rodrigo, então eu estaria nas mãos de uma pessoa que além de uma boa experiência como cirurgião indiretamente tinha laços de amizade com meu irmão. Tudo que pensei nos momentos de angústia no Pelópidas da Silveira se concretizou: pude conversar com os filhos, os irmãos, mamãe, os amigos e me preparar para a difícil operação. E iria fazê-la com um médico do qual recebera boas referências, além de ser filho de um colega de trabalho de Eduardo. Fiz uma viagem a Recife para me consultar com Dr. Rodrigo, mas algo deu errado no agendamento feito pela secretária e só na segunda tentativa consegui ser atendido em seu consultório, localizado numa rua próxima ao Hospital Esperança. Antes desta consulta na capital tinha sido atendido na Ceorga por Dr. Elder Machado, neurologista de Garanhuns que fez todos os testes e desconfiou da volta do tumor antes mesmo da tomografia que confirmou a doença. Estive com ele uma segunda vez, já com exame feito no Pelópidas da Silveira em mãos. Ele não deixou dúvidas que a solução era uma cirurgia e requisitou uma ressonância magnética que fiz na Imax, em Caruaru, onde fui levado por meu irmão Júnior. A essa altura eu já recebera orientação médica para não mais dirigir. Assim, é importante salientar, neste relato, que o tempo todo recebi o apoio da minha família: De Eduardo, que pagou a cirurgia de 2006 e arranjou o médico dos procedimentos de 2015, de Aurélio que não só me hospedou em seu apartamento, como se fez presente durante todo o internamento no HR e ainda andou tendo gastos comigo por conta de alguns exames particulares bem caros. Tiago e Lulinha, meus filhos, viraram meus braços e pernas em Garanhuns, enquanto não chegava o dia de ir para Recife me internar. Vitória, que tinha na época 16 anos (completou 17 em outubro) e mora em Lajedo, com a mãe ficou muito nervosa e apreensiva e sempre que me via procurava saber se eu estava preparado para esta segunda cirurgia de cabeça. Todas às vezes procurei passar confiança à Vitória, dizia estar tranquilo e que ela podia ficar calma, pois tudo iria dar certo e Deus me ajudaria mais uma vez. Joselita, sua mãe, tanto procurava acalmar a nossa Vivi, como me passar confiança. Carolina, mas caladinha, também estava apreensiva. Não extravasava muito os sentimentos, mas ainda teve coragem de confessar à mãe, em tom choroso, "que não queria de jeito nenhum ficar órfã do pai". Ó Wall!!! (Continua...)

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