Por: Paulo Rideaki
Quando era mais novo sofria bullying na escola por ser “diferente”, na verdade eu era delicado para os padrões brasileiros da imagem ou de como “deveria” comportar um menino dentro da 'realidade brasileira'. Eu era o contrário, nunca falei palavrões, nunca ficava manipulando ou ‘coçando’ o saco em público, nunca fazia comentários vulgares sobre as garotas, não cuspia no chão, defendia os colegas mais fracos, mesmo tendo que arcar com as perseguições implacáveis dos “meninos machões” que já zoavam comigo e não fazia educação física quando tinha futebol, porque não gostava de futebol, não gosto até hoje. Então os “meninos” da escola colocavam apelidos maldosos em mim, me chamavam de frutinha, e pra acabar comigo mesmo não sabia me defender, ia chorando para o banheiro de onde era ‘resgatado’ pela minha mãe, para no dia seguindo os malévolos meninos ficavam me chamando de ‘filhinho da mamãe’. Mesmo em casa quando minha mãe me perguntava o que estava acontecendo eu não tinha coragem de falar para ela, porque eu sou o filho homem caçula e ‘cobiçado’ dentre mais três filhas mulheres, sendo o ‘bendito fruto entre as mulheres’ que meus pais tinham tanto orgulho, por eu ter nascido ‘macho’, e eu pensava que tais difamações dos ‘coleguinhas’ da escola, ia deixar ambos decepcionados comigo. Por um bom tempo a missão de resgate da minha mãe foi uma constante, até que decidi não ir mais a escola, estava de saco cheio com toda aquela perseguição e decidi não estudar mais, para o desespero de minha mãe e pai. Minha mãe chorava de desespero comigo perguntando por que, por que e por que? Quando de repente de tanto ouvir ‘por quês’ decidi contar a ela o que estava acontecendo, ela não disse nada, emudeceu, me abraçou e falou que me amava porque eu era o filho homem que ela e meu pai tanto desejaram e que nada ou ninguém poderia mudar a minha natureza de homem, porque nasci menino e quando crescer serei um homem de grande valor, independendo das opções que venha a escolher no futuro, claro que minha mãe não falou nessas palavras, pois ela não teve estudo como eu tive, mas foi o que entendi da sua mais profunda sabedoria de mãe. Ó Wall!! Continua...

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