INAUGURAÇÃO DO BLOG

05 de JULHO de 2010

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AUTOR DO BLOG

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Estervalder Freire dos Santos - Ó Wall; sou blogueiro desde 2010. Terminei o Ensino Médio em 1988, não tenho Ensino Superior, Criei o Blog Só Pudia Ser Ó Wal com a ajuda dos amigos: Cristiane Sousa, Ibermon Macena, Jackson Douglas, Junior Cunha e Rodrigo Viany. Sou totalmente eclético só para expor minhas ideologias.... O blog possuí muitos textos, mas nada especifico, acredito que sejam um pouco de tudo e pouco do nada, mas também há outros. Divirta-se.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Artificial

Texto de Luiz Guilherme Piva, autor de “Eram todos camisa dez” (Editora Iluminuras).

Zezonhão era manco. Perdeu o pai cedo. Tinha aquele cuspe grosso, de empoçar o terrão. Lateral esquerdo. Jucanço, alto, cabeça oca. Nunca viajou. Gostava de canja e de zona. Goleiro. Lubinito ainda é açougueiro. Aprendeu espanhol. Fedia como um sarnento e não falava nada. Centroavante. Nhê era espírita e faxineiro. A voz fininha, fininha. Vinha de carroça, dando milho na estrada. Meio-campo. Minínu ninguém sabia de onde era. Bebeu raticida quando a mulher se foi, mas deu sorte. Branquelo. Tocava gaita. Zagueiro. São os que sobraram. Um dia, no caminhão que tombou, morreram seis. O time acabou. Às vezes se veem por acaso, na quermesse, luzinhas chinesas, pastéis, cachaça, funk, gritos. Mas se evitam, afastam-se, sozinhos. Não era nada. Um timinho de jogar aos domingos nas roças que durou algum tempo. A maioria nem se lembra. Um ou outro, bem mais velho, é que, quando os vê por ali, nas barracas, fala de partidas, vitórias, derrotas. “O Lubinito, de esquerda…”. “Teve uma vez um clássico…”. “No ângulo, no ângulo! – e o Jucanço pegou!”. “Um que eu não lembro o nome, que espanava tudo…”. Mas, quando estouram os rojões, todos param pra ver a chuva de cores e de fumaça – e o assunto acaba. Assim como o time. Como os fogos. Como a vida. E como este texto. De repente. Ó Wall!!!

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