Neste romance indianista de José de Alencar, podemos enxergar os malefícios da colonização. Seria mesmo uma história de amor? Onde está o amor presente neste livro? Martim amava Iracema? Amava a terra? Este tipo de amor faz bem? Se faz, por que então Iracema morreu de tristeza? Bem, não pretendo responder a nenhuma destas perguntas, as fiz apenas para que eu mesmo pudesse refletir no porquê de ler tantos romances com histórias tão tristes. Mas vamos nos posicionar em alguns dos personagem e seus significados:
Iracema: índia mais que bela, guardiã do segredo da Jurema, responsável por fazer a bebida dos deuses, virgem impossibilitada de se casar.
Martim: guerreiro branco, colonizador português.
Jandaia: pássaro que acompanhava Iracema, símbolo da cultura local.
Pajé: líder religioso, pai de Iracema.
Iracema é sempre comparada a natureza e sempre se sobressai a ela. Essa índia era muito importante para a vida cultural do local, sendo assim não poderia se entregar a qualquer um e correr o risco de ter tudo isso destruído. Ela agradava os deuses e os deuses por sua vez, protegiam tudo o que possuíam. Martim, colonizador, explorava terras e as "tomava" para o seu país, pois é isso o que um colonizador faz. Assim, precisaria colonizar esta terra descoberta e sabemos que não se coloniza nada se não é você quem impõe as leis. Assim, a cultura do país colonizador deve ser imposta ao país colonizado, bem como sua língua e deve manter-se totalmente dependente de quem o colonizou. Martim poderia ter tido muitas belas índias, mas desejou Iracema.
Iracema, via o visitante como uma bênção e o droga e se entrega a ele. Ao fazer isso, perde sua força perante os deuses e a cultura local é destruída. Claro que Martim desejava Iracema, mas, ao possuí-la, não estava em seu "juízo perfeito" fazendo tudo inconcientimente. Assim também os colonizadores, não tinham consciência do mal que estavam causando ao destruírem as florestas, apenas se preocupavam com o bem que lhes trazia a colonização. Ao possuir Iracema, Martim destruiu a virgem, assim como os colonizadores destruíram as matas. Martim estava feliz com Iracema, mas esta não era sua terra de verdade, não era sua vida, e Iracema não era sua esposa. Ele volta para sua terra e não leva Iracema. Os colonizados não são bem vindos na terra que os controla. Mas o fruto da colonização nasce e Iracema morre. Ao morrer Iracema a cultura (Jandaia) se cala e não fala (canta) mais. O filho não pode ouvir o cantar da Jandaia. O pai retorna e leva o filho com ele. Agora, o filho falará sua língua, terá seus costumes e não mais se importará com o que sua mãe foi ou com a importância que ela tinha, pois os mortos não transmitem ensinamentos a menos que o tenham deixado durante suas vidas.
José de Alencar demonstra um incrível senso de ecologia já naquela época. Seu amor a natureza é manifesto por representá-la poeticamente sem nada que possa macular sua beleza, ou seja, não há mosquitos, não há espinhos, não há falhas geológicas, tudo é perfeito... Assim como Iracema não tem espinhas, seus cabelos não são queimados pelo sol e nem maltratados pelas águas do mar. É alta, não possui a estatura do nordestino cearense. Está mais para uma índia norte americana. O amor aqui consumado, não via em frente, não só por seguir a característica romantica, mas também por não poder haver amor duradouro entre colonizador e colonizado.
Ó Wall!!!
INAUGURAÇÃO DO BLOG
05 de JULHO de 2010
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AUTOR DO BLOG
Estervalder Freire dos Santos - Ó Wall; sou blogueiro desde 2010. Terminei o Ensino Médio em 1988, não tenho Ensino Superior, Criei o Blog Só Pudia Ser Ó Wal com a ajuda dos amigos: Cristiane Sousa, Ibermon Macena, Jackson Douglas, Junior Cunha e Rodrigo Viany. Sou totalmente eclético só para expor minhas ideologias.... O blog possuí muitos textos, mas nada especifico, acredito que sejam um pouco de tudo e pouco do nada, mas também há outros. Divirta-se.
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