INAUGURAÇÃO DO BLOG

05 de JULHO de 2010

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Estervalder Freire dos Santos - Ó Wall; sou blogueiro desde 2010. Terminei o Ensino Médio em 1988, não tenho Ensino Superior, Criei o Blog Só Pudia Ser Ó Wal com a ajuda dos amigos: Cristiane Sousa, Ibermon Macena, Jackson Douglas, Junior Cunha e Rodrigo Viany. Sou totalmente eclético só para expor minhas ideologias.... O blog possuí muitos textos, mas nada especifico, acredito que sejam um pouco de tudo e pouco do nada, mas também há outros. Divirta-se.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

O flagra

Por: Tião Lucena
Jardelzinho gostava de três coisas na vida: da oficina de ourives, que mantinha limpa e cheirosa, com jeito de nova; da família e das putas da Rua da Cadeia, muito embora essas últimas fossem guardadas debaixo do maior segredo, para manter sua reputação ilibada e livrá-lo dos castigos da vigilante Bartirinha, sua santa esposa de 42 anos de convivência.
Baixinho, entroncado, o pescoço enfiado no corpo, não era o típico galã de novelas que desmancha corações e derrete resistências. Mas seu jeito sonso, a cara de sofrimento, a expressão de menino precisando sempre de carinho serviam para seduzir as mais resistentes moças do lugar. A partir de Bartirinha, que mesmo depois de tantos anos de casamento e caminhos percorridos, mantinha sobre ele uma marcação cerrada e nutria um ciúme quase doentio.
Mas Jardelzinho sabia driblar os vigias com uma maestria que causava admiração. Era homem de um caminho só, de casa para a oficina e da oficina pra casa. Pelo menos publicamente era assim. Na intimidade, porém, havia aquele célebre intervalo das três da tarde, que aproveitava para cair nos braços de Das Dores, morena reboculosa que ele mantinha teúda e perfumada na Rua da Cadeia.
Essa regularidade, por sinal, só foi quebrada quando Jardelzinho adoeceu do coração e foi proibido, entre outras coisas, de fazer sexo por um mês. O pobre agoniou-se tanto que, passados 15 dias da dieta, ligou para Das Dores e determinou que ela o esperasse deitada na cama e sem calcinha.
Dito e feito: Assim que entrou no quarto, Jardelzinho viu sua amada deitada, a saia levantada, as pernas abertas e o dim-dim se oferecendo. Jardelzinho aproximou-se, observou demoradamente, deu um suspiro e levantou-se, mandando que a amada se compusesse porque ele só tinha ido ali para ver e matar as saudades.
Até que um dia Bartirinha deu para desconfiar do marido. Por duas vezes o procurara na oficina no meio da tarde e encontrara o local fechado. A mosca do ciúme lhe picou mais forte, ficou zanzando, perdeu o sono e resolveu tirar tudo a limpo. Contratou um detetive a peso de ouro, deu-lhe as coordenadas e disse que ele só retornasse com o serviço feito.
Duas semanas após incansáveis pesquisas e espionagens, o detetive depositou no colo trêmulo de Bartirinha um farto relatório e meia centenas de fotos comprometedoras. Estava ali a prova da infidelidade. Jardelzinho de santo só tinha a cara e o jeito de menino. Aparecia em posições diversas, ora no colo de Das Dores, ora fungando no seu cangote, havia uma foto – essa foi de doer -, onde dava cafunés na cabeça da amante, logo cafuné que ele nunca dera na cabeça de Bartirinha!
Mulher traída não gosta de deixar por menos. E Bartirinha fez questão de tornar pública a infidelidade de Jardelzinho com pompas e circunstâncias. Chamou os filhos casados, as filhas idem, os genros, as noras, os netos, duas irmãs mais velhas e até o padre, reuniu todos na sala de estar e, quando estava tudo preparado, mandou convocar o marido na oficina. Era coisa urgente, inadiável, mandara dizer pelo afoito Mundinho de Rosa, o faz tudo da casa.
Jardelzinho chegou esbaforido, encontrou a platéia, viu que a coisa era séria, sentou-se ao lado da mulher e antes de dizer a primeira palavra, foi intimado por ela:
-O que você tem a dizer sobre isso, Jardelzinho?!”, exclamou, ao tempo em que jogava o amontoado de fotos no colo do marido.
Jardelzinho começou a olhar uma por uma e, depois de ver umas quinze, parou, olhou para a mulher e perguntou:
-Bartirinha, tu gastou quanto para fazer esse serviço?
-Dois mil reais, Seu Jardel -, respondeu furiosa.
E ele:
-Mas Bartirinha, a gente numa crise danada dessas e tu gastando essa fortuna. Por que não me perguntasse que eu contava tudo de graça?!
kkk....kkkkkk.....k.kkkkkk.....kkkkk.....Ó Walll!!!!!

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