Por: Bruno Falissard – Le Figaro. Continuando...
Um homem como outro qualquer - Aí está certamente o ponto essencial: a cirrose, como evolução final do alcoolismo grave, é o símbolo do ser humano que perdeu sua dignidade, privado de seu livre arbítrio. Um homem livre para decidir sobre suas escolhas é de fato necessário ao bom funcionamento da sociedade. O homem livre é responsável por suas ações e é através desta responsabilidade que a lei e o direito exercem seu poder estruturante e pacificador. Além disso, o autocontrole é um valor fundamental, ensinado desde os primeiros anos de vida, seja na escola, ou no círculo familiar. Mas a evidência se impõe o alcoólatra não tem liberdade, ele não tem mais autocontrole. O alcoólatra é, portanto indigno. A indignidade suprema é tomar a decisão de beber, é de uma opção de vida em que ele se priva de liberdade. Em alguns aspectos, a cirrose aparece como a sanção quase divina de um homem que se condenou a ser privado de sua liberdade. A natureza dramática do alcoolismo é ainda mais forte, que a maioria de nós tem bebido álcool e muitos o consomem regularmente. Quanto ao declínio, corremos também este risco, pelo menos simbolicamente. Em nossa imaginação, muitos dentre nós somos alcoólatras em potencial e é frequente rejeitar com certa violência aquele em que tememos nos transformar. Na verdade, alguns minutos de conversa com um paciente alcoólatra são suficientes para perceber que ele é apenas um homem como outro qualquer. Ele se sente fraco, culpado, desesperado. De fato, ele é como qualquer um. Sim, o álcool é mais forte que ele, mas quem nunca fez algo contra sua vontade? Aliás, uma formulação paradoxal, porque então quem fez este «algo» e de quem era esta «vontade» a não ser de uma única e mesma pessoa? Ocorre a mesma coisa do paciente cirrótico. Que a cirrose seja de origem viral, alcoólica ou autoimune, o médico tem na frente dele um paciente com uma doença crônica, de evolução desfavorável, nada mais e nada menos. A prática da medicina, devido à natureza incomum da relação estabelecida entre o médico e o paciente, permite que ambas as partes superem os preconceitos morais. E é o que permite realizar a evidência que a cirrose é uma doença como qualquer outra e o paciente cirrótico, apenas um paciente. Resta então a depor e militar contra esta dupla punição: a cirrose não é uma doença vergonhosa. DF!! Ó Wall!! FIM
INAUGURAÇÃO DO BLOG
05 de JULHO de 2010
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AUTOR DO BLOG
Estervalder Freire dos Santos - Ó Wall; sou blogueiro desde 2010. Terminei o Ensino Médio em 1988, não tenho Ensino Superior, Criei o Blog Só Pudia Ser Ó Wal com a ajuda dos amigos: Cristiane Sousa, Ibermon Macena, Jackson Douglas, Junior Cunha e Rodrigo Viany. Sou totalmente eclético só para expor minhas ideologias.... O blog possuí muitos textos, mas nada especifico, acredito que sejam um pouco de tudo e pouco do nada, mas também há outros. Divirta-se.
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