Por: ROBERTO ALMEIDA - jornalista
Rogério Cezar de Cerqueira Leite, engenheiro eletrônico e físico, considerado um “decano do jornalismo científico” no Brasil, publicou um artigo no jornal Folha de São Paulo, que foi um dos principais assuntos da mídia e dos meios políticos, esta semana. É que no seu texto o professor faz algumas críticas ácidas (e pertinentes) ao juiz Sérgio Moro, a quem acusa de parcialidade nos julgamentos que faz, e de sentir-se – com ar aristocrático – como um ser superior ao resto da humanidade. O artigo desagradou profundamente ao juiz Sérgio Moro, que enviou uma carta ao jornal paulista reclamando da publicação do texto, como que defendendo a volta da censura no país. Numa democracia qualquer homem público – presidentes, governadores, deputados, juízes - pode ser criticado, desde que não se parta para a injúria, a calúnia ou a difamação, o que não foi o caso de Rogério Cerqueira. Moro, portanto, além de combater a corrupção (embora de modo seletivo), parece agora também empenhado em corroer a nossa já frágil democracia. Infelizmente o Judiciário e o Ministério Público, tão importantes para o regime democrático, estão cada vez mais contribuindo para a instalação de um regime de exceção no Brasil, onde a Constituição e o Estado de Direito vêm sendo constantemente desrespeitados e não existe mais a “presunção de inocência”. Hoje, um juiz de primeira instância brasileiro pode tranquilamente proibir, julgar sem direito de defesa, mandar prender e ainda posar de herói perante uma mídia cada vez mais fascista, cega, burra e egoísta. Que visa seus próprios interesses, nunca os da maioria da população brasileira. Abaixo, para os interessados, o artigo do físico, engenheiro e professor Rogério Cerqueira, que tanto desagradou o juiz Sérgio Moro.
DESVENDANDO MORO - O húngaro George Pólya, um matemático sensato, o que é uma raridade, nos sugere ataques alternativos quando um problema parece ser insolúvel. Um deles consiste em buscar exemplos semelhantes paralelos de problemas já resolvidos e usar suas soluções como primeira aproximação. Pois bem, a história tem muitos exemplos de justiceiros messiânicos como o juiz Sergio Moro e seus sequazes da Promotoria Pública. Dentre os exemplos se destaca o dominicano Girolamo Savonarola, representante tardio do puritanismo medieval. É notável o fato de que Savonarola e Leonardo da Vinci tenham nascido no mesmo ano. Morria a Idade Média estrebuchando e nascia fulgurante o Renascimento. Educado por seu avô, empedernido moralista, o jovem Savonarola agiganta-se contra a corrupção da aristocracia e da igreja. Para ele ter existido era absolutamente necessário o campo fértil da corrupção que permeou o início do Renascimento. Imaginem só como Moro seria terrivelmente infeliz se não existisse corrupção para ser combatida. Todavia existe uma diferença essencial, apesar das muitas conformidades, entre o fanático dominicano e o juiz do Paraná — não há indícios de parcialidade nos registros históricos da exuberante vida de Savonarola, como aliás aponta o jovem Maquiavel, o mais fecundo pensador do Renascimento italiano. É preciso, portanto, adicionar um outro componente à constituição da personalidade de Moro -o sentimento aristocrático, isto é, a sensação, inconsciente por vezes, de que se é superior ao resto da humanidade e de que lhe é destinado um lugar de dominância sobre os demais, o que poderíamos chamar de “síndrome do escolhido”. Essa convicção tem como consequência inexorável o postulado de que o plebeu que chega a status sociais elevados é um usurpador. Lula é um usurpador e, portanto, precisa ser caçado. O PT no poder está usurpando o legítimo poder da aristocracia, ou melhor, do PSDB. A corrupção é quase que apenas um pretexto. Moro não percebe, em seu esquema fanático, que a sua justiça não é muito mais que intolerância moralista. E que por isso mesmo não tem como sobreviver, pois seus apoiadores do DEM e do PSDB não o tolerarão após a neutralização da ameaça que representa o PT. Savonarola, após ter abalado o poder dos Médici em Florença, é atraído ardilosamente a Roma pelo papa Alexandre 6º, o Borgia, corrupto e libertino, que se beneficiara com o enfraquecimento da ameaçadora Florença. Em Roma, Savonarola foi queimado. Cuidado Moro, o destino dos moralistas fanáticos é a fogueira. Só vai vosmecê sobreviver enquanto Lula e o PT estiverem vivos e atuantes. Ou seja, enquanto você e seus promotores forem úteis para a elite política brasileira, seja ela legitimamente aristocrática ou não. Ó Wall!!!
INAUGURAÇÃO DO BLOG
05 de JULHO de 2010
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AUTOR DO BLOG
Estervalder Freire dos Santos - Ó Wall; sou blogueiro desde 2010. Terminei o Ensino Médio em 1988, não tenho Ensino Superior, Criei o Blog Só Pudia Ser Ó Wal com a ajuda dos amigos: Cristiane Sousa, Ibermon Macena, Jackson Douglas, Junior Cunha e Rodrigo Viany. Sou totalmente eclético só para expor minhas ideologias.... O blog possuí muitos textos, mas nada especifico, acredito que sejam um pouco de tudo e pouco do nada, mas também há outros. Divirta-se.
sábado, 15 de outubro de 2016
O ARTIGO QUE INCOMODOU O JUIZ SÉRGIO MORO
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