Por: ROBERTO ALMEIDA - jornalista. Continuando...
Fui internado no Hospital da Restauração no dia primeiro de junho deste ano, uma segunda-feira. Lembro bem que o atendimento foi feito por uma médica-residente, uma mulher jovem, loira, com um jeito meio tímido e inseguro, que se chamava Rita. Preenchida uma papelada que a moça me passou, fui conduzido pelo corredor do 5º andar até a enfermaria 505, localizada já próximo do final, bem pertinho de onde ficavam dois policiais militares responsáveis pela segurança daquela parte do HR. Demorou um pouco para que me instalassem numa cama, pois o paciente de alta devia estar esperando o transporte, certamente ansioso por poder se livrar de vez da angústia entre aquelas paredes, cedendo a vez ao próximo necessitado de tratamento médico. Todo o 5º andar do Restauração é dedicado à neurocirurgia, com salas para os médicos que chefiam o setor, enfermarias para pacientes do sexo feminino e outras destinadas aos homens. Mas o acompanhante de um senhor pode ser sua esposa ou filha e de uma senhora pode ser o marido ou irmão. Fiquei numa enfermaria com oito leitos, quase sempre todos ocupados. Às vezes até se botava uma cama extra.
Logo fui me familiarizando com o ambiente, conhecendo as pessoas, embora ficasse a maior parte do tempo deitado, já que estava fraco devido ao avanço da doença. A sala em que todos estávamos acomodados, ampla, não poderia ser considerada ruim, apesar de não ter um chão brilhantemente impecável quanto dos melhores hospitais particulares. Um único banheiro, para oito pacientes e oito acompanhantes, mais as visitas, era o mais desagradável no hospital e quando algum dos doentes tinha um problema intestinal podia virar um caso muito sério. Os auxiliares de serviço geral, porém, vinham várias vezes por dia e faziam o possível para deixar o sanitário em condições aceitáveis. No Hospital da Restauração os profissionais de saúde parecem brotar do chão de tantos que aparecem. A todo momento uma enfermeira ou uma auxiliar passa dando uma checada nos pacientes. Fazem anotações, tiram sangue, medem a pressão ou enfiam goela abaixo algum remédio prescrito pelo médico. Uma das primeiras amizades que fiz no hospital foi com uma morena bonita e simpática conhecida apenas por Maria. Ela estava na enfermaria 505 como acompanhante do seu filho, um garoto na faixa dos 15 anos. Maria gostava muito de conversar, contar seu drama de vida e adorava usar short curso para mostrar um belo par de coxas. É a vida: mesmo num hospital a mulher conserva a vaidade e tem prazer em exibir o que tem de bonito. Ela foi legal tanto comigo quanto com minha mulher e acompanhante, Tereza, e revelou que morava em Porto de Galinhas. Antes de ter alta nos convidou para visitá-la em sua residência, quando também estivéssemos livres do HR. Dos pacientes do setor de neurologia, a maioria dava entrada no Restauração por conta de tiro na cabeça. Lembro que uma ocasião, acho que já fazia mais de um mês internado, contei oito leitos ocupados e quatro dos doentes tinham levado uma bala na cabeça, ou seja 50% dos que estavam na enfermaria tinham sido vítimas da violência urbana, pegos durante um assalto ou por um ato de vingança. Ó Wall!! (Continua...)
INAUGURAÇÃO DO BLOG
05 de JULHO de 2010
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AUTOR DO BLOG
Estervalder Freire dos Santos - Ó Wall; sou blogueiro desde 2010. Terminei o Ensino Médio em 1988, não tenho Ensino Superior, Criei o Blog Só Pudia Ser Ó Wal com a ajuda dos amigos: Cristiane Sousa, Ibermon Macena, Jackson Douglas, Junior Cunha e Rodrigo Viany. Sou totalmente eclético só para expor minhas ideologias.... O blog possuí muitos textos, mas nada especifico, acredito que sejam um pouco de tudo e pouco do nada, mas também há outros. Divirta-se.
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