Por: Mauro Luis Iasi. Continuando com a Fonte: Blog da Boitempo
Marilena Chauí, que sempre nos trás elementos interessantes, nos lembra que na Antiguidade se concebia duas dimensões: a Cósmica como um ciclo perene e eterno, portanto atemporal, e um tempo dos seres, linear e finito, seja dos seres, seja das cidades e impérios (Brasil: Mito fundador e sociedade autoritária, Perseu Abramo, 2000, p. 70). Trata-se da famosa diferenciação de uma dimensão temporal e mundana e outra atemporal e divina, própria da consciência social medieval. De qualquer forma, nossa consciência parece nos indicar que estamos dentro de um fluxo que se encontra dentro de outro, que, por sua vez, encontra-se dentro de outro. Vivemos os dias que fluem dentro de períodos históricos que fluem dentro de séculos e milênios que constituem as eras. O que diferencia estas dimensões não é apenas o aspecto quantitativo (dias, anos, milênios), mas há uma diferença de ritmo e de substância que nos interessa. O tempo cotidiano não apenas se dá no ritmo das horas, dias, semanas, meses e anos com os quais tecemos a trama que constitui nossa vida, mas agimos nesta dimensão temporal premidos pela imediatez, pela ultrageneralização, pela heterogeneidade das esferas do trabalho, da linguagem, da vida privada. Como nos demonstra José Paulo Netto, seguindo as pistas de Heller e Lukács, não há um ser humano sem vida cotidiana, “enquanto espaço-tempo de constituição, produção e reprodução do ser social, a vida cotidiana é ineliminável” (José Paulo Netto e Maria do Carmo B. De Carvalho, Cotidiano, conhecimento e crítica, São Paulo, Cortez: 2012). No entanto, apesar de “insuprimível” o cotidiano é histórico. Isto é: não é sempre o mesmo, pois trata-se da constituição, produção e reprodução de uma forma determinada de vida, uma vida histórica, portanto, nos remetendo a outro ritmo, aquele dos períodos históricos de constituição dos modos de produção, que não pode ser concebido a não ser em séculos e milênios, como pensam Marx e Engels. Ocorre que este tempo histórico tem também suas mediações, na história concreta das formações sociais, da dinâmica da luta de classes, no jogo político do nascimento, vida e morte dos Estados e formas de governo, na constituição de uma superestrutura política e jurídica, na conformação de uma determinada consciência social, de uma cultura e de suas múltiplas expressões. Ó Wall!!! Continua...
INAUGURAÇÃO DO BLOG
05 de JULHO de 2010
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AUTOR DO BLOG
Estervalder Freire dos Santos - Ó Wall; sou blogueiro desde 2010. Terminei o Ensino Médio em 1988, não tenho Ensino Superior, Criei o Blog Só Pudia Ser Ó Wal com a ajuda dos amigos: Cristiane Sousa, Ibermon Macena, Jackson Douglas, Junior Cunha e Rodrigo Viany. Sou totalmente eclético só para expor minhas ideologias.... O blog possuí muitos textos, mas nada especifico, acredito que sejam um pouco de tudo e pouco do nada, mas também há outros. Divirta-se.
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